Janeiro 6, 2009
O Dia Em Que o Surf Parou
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6 Janeiro 2009, 09:00
Hollywood prepara-se para lançar novo remake do clássico de 1951 “The Day the Earth Stood Still”. Como no ano passado também já fizeram um remake este será um REremake. Por mero acaso, durante uma das minhas longas viagens pelo rio Tejo, sentou-se a meu lado Scott Derrickson, o realizador do remake de 2008 que terá, neste REremake para 2009, a importante função de paquete do café. Transcrevo aqui um trecho da nossa conversa:
Eu: Olá Scott, importaste que te trate simplesmente por Scotex?
Scott Derrickson: No problem man, já estou habituado, até já entrei nesse anúncio do papel higiénico, eu era aquele que trazia o rolo no focinho.
EU: errrrrrrrrrrrrrrr.... pois, bom, mas vamos ao que interessa; porque um REremake?
SD: Well.... na verdade, nunca quis realizar aquela bosta de 2008, eu sabia que ninguém ia achar credível uma história daquelas em pleno Séc. XXI.
EU: Achas que já ninguém acredita em ET’s?
SD: Heinnnn???? Não, nada disso, ninguém acredita é que os States se interessem por aquelas tretas ecológicas. Na versão original do filme, a tal de 1951, ou por aí, o ET chega à terra para nos dar umas palmadas por causa de estarmos sempre em guerra. Nesta lembraram-se que o ET deveria vir dar-nos um sermão sobre o mal que fazemos ao nosso planeta. Está-se mesmo a ver!!!!! Pelos menos escolheram bem o actor para fazer de ET, o Keanu Reeves, só mesmo ele, com aquela capacidade de não mostrar a mínima expressão nas piores situações, para dar alma a este personagem de além espaço.
EU: E então este REremake?
SD: Este sim, é a versão que eu queria fazer. Desta vez é um ET, que chega à Terra para exterminar todos os surfistas e afins.
EU: Hein??????? Porquê??
SD: Porque o ET em questão é Penta Campeão Intergaláctico de surf e acha que, aqui na terra, temos bons spots, alguns até de qualidade galáctica, mas não surfamos nada.
EU: Errrrrrrrrrrrrr..... Interessante. E actores, já estão escolhidos?
SD: Sim, off course. Slater é o ET. Este foi fácil, mais complicado foi a escolha do herói que irá salvar os surfistas terrestres das garras deste ET careca.
EU: Vai haver então um herói para derrotar o vilão.
SD: Sim, sim, é o Saca.
EU: E é o próprio Saca que vai representar o seu papel?
SD: Não, claro que não. Ele não pode, está concentrado no ataque ao WT 2009. O actor escolhido é o Freankin Director da ONFIRE, Nuno Bandeira.
Depois desta bombástica revelação o barco ancorou, dei por terminada a entrevista e corri directamente para a praia de Carcavelos disposto a sacar mais informações ao Freankin Director da ONFIRE, Nuno Bandeira. Tive sorte, estava a acabar de sair de água e foi assim que, ainda de cabelo molhado, me concedeu a entrevista que agora vos trago.
EU: Olá Freankin Director da ONFIRE, Nuno Bandeira. Que história é essa de entrares num filme a fazer de Saca? Como tudo se passou?
Freankin Director da ONFIRE, Nuno Bandeira: Epahhhh... isso foi tudo um processo muito natural, o Scotex convidou-me e eu aceitei.
EU: (...) Mas não havia mais candidatos?
FDONB: Bom... haver, havia, mas eu tratei de fazer o Scotex ver que não eram boas escolhas.
EU: Pode-se saber quem eram os outros?
FDONB: Vou-te só revelar os dois finalistas, um era o Super Max e o outro era o Psyco Editor da ONFIRE, António Nielsen.
EU: Nomes de peso então....
FDONB: Sim, mas foi isso que os lixou. Que americano consegue pronunciar Maximiliano??? Já para não falar no espaço que um nome daqueles ocupa num cartaz. Depois tínhamos o Psyco Editor da ONFIRE, António Nielsen. Ora aqui, qualquer americano que se preze, pensa logo naquele cantor de música country que usava trancinhas e que tinha um nome parecido. Não fica bem pensar num herói com trancinhas, né? Depois o facto de eu estar a deixar crescer o bigode, e surfar melhor que eles, também contou claro.
EU: Mas não tens grandes parecenças com o Saca. Ele no minimo até é mais moreno que tu.
FDONB: Outro factor a meu favor, como sou mais bonito e loiro, faço mais o género de galã de Hollywood.
EU: (...) bom... ok... e a acção, onde se vai passar?
FDONB: No Hawaii, claro. As batalhas vão ser travadas ao redor do North Shore, algumas também na parte Sul, mas o grande final vai ser em Pipe.
EU: Estás então de partida para as ilhas havaianas.
FDNOB: Não, as filmagens vão ser nos Açores sai mais barato. Ainda se pensou na Madeira, mas com aquelas manias que os grandes chefes de lá têm de independência em relação ao continente não nos pareceu bem, irmos para lá brincar às batalhas.... ainda lhes dávamos ideias.
EU: E que onda os Açores têm para imitar Pipe?
FDNOB: Aí eu também tive algo a dizer e convenci-os a fazermos a batalha final já aqui ao pé, em Carcavelos. Dá-me mais jeito, por causa do almoço, assim vou comer a casa e poupo uns cobres.
EU: Podes avançar com mais alguma curiosidade?
FDNOB: Sim, aquilo vai ser o primeiro filme que não é filmado, é fotografado em sequências. Aliás o Carlos Pinto, o nosso director de fotografia, vai liderar os outros fotógrafos colaboradores da ONFIRE em tal façanha.
EU: Então e depois como se vê?
FDNOB: É simples, a malta chega ao cinema, senta-se e umas meninas distribuem as fotos por todos. Depois é só desfolhar depressa que se consegue ver tudo perfeitamente. Quanto ao som, é só levar os leitores de MP3 depois de terem feito o download, do respectivo ficheiro, num site pirata qualquer.
EU: ahhhh.... bom... ok... boa sorte então.
FDNOB: Obrigado.
E mais não posso adiantar, agora é esperar pela estreia lá para o fim do ano.
Mas como ainda vamos a tempo de evitar mais uma desgraça cinematográfica, lanço aqui, como costume, um desafio aos nossos leitores; apresentem nos comentários novas alternativas a estes actores, vilão e herói e digam-nos o porquê da vossa escolha. A melhor proposta poderá, (eu disse poderá) ganhar uma revista ONFIRE de Agosto/Setembro de 2008 (dois mil e oito) assinada pelo Freankin Director da ONFIRE, Nuno Bandeira. Fantástico, não é?
Segunda-feira maneira.
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5 Janeiro 2009, 09:38
"Nós surfamos por prazer. Reme para fora, limpe sua mente e divirta-se!" Garret MacNamara (big rider)
Desejo Concretizado!
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4 Janeiro 2009, 12:35
Quem viu o meu último post (abaixo deste) sabe qual foi o meu grande desejo para 2009! E o mais extraordinário de tudo é que hoje, dia 4, ele foi conretizado. Se ontem Carcavelos já estava perto do clássico, hoje com o vento a rodar norte à tarde, a maré a encher e o swell mais certo esteve simplesmente CLÁSSICO! Cada onda era um envelope tubular! ANIMAL! Estava de tal forma que a cada onda que rebentava o Guerrinha não parava de me perguntar: "Isto está clássico não está?!?". Os destaques do dia foram o cú virado para a lua do Edgar Nozes que na sua primeira onda deu um tubão e que passado 10 minutos deu um ainda melhor todo em pé e com direito a high five à saída, em que me ir arrancando a mão. Marcelino "Bizuca" Barros deu o papel do dia ao despencar do lip directo para a base num daqueles buracos à lá Carca e onde já vinha o Tomás "Shemale" Valente aos berros. O karma actou e Bizas veio ao de cima só com metade da prancha. Quem pensa mesmo que dropinar compensa está aqui a prova do contrário. Mas a onda do dia (leia-se o tubo do dia) foi para António Meneres que agarrou uma daquelas bombas que se transformam num salão quadrado e que chupam a areia do fundo de tal forma que a onda fica castanha. Arrancou, encaixou e se não percorreu meia praia de Carcavelos lá dentro quase que o fez para sair da besta e deixar todo o crowd aos berros e assobios!
Neste momento é fácil dizer que foi o melhor dia do ano mas amanhã e terça serão dois dias que irão certamente rivalizar com hoje! E viva 2009!!!
uma questão de parentesco
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3 Janeiro 2009, 13:46
Por mais localista, avarento e bilioso que um local seja, não há bodyboarder que não sonhe um dia, poder dar ondas a um filho seu.
Partilhar é portanto um acto de amor, ao invés que reter ou excluir seja um gesto de ódio. Infelizmente somos limitados (até biologicamente) de não sentir afecto por mais do que um circulo muito restrito e próximo a nós. Muitas poucas pessoas foram excepções a este padrão e por possuirem ou cultivaram essa particularidade (a empatia)são por isso conhecidos e admirados.
Esse é um mistério que a religião sondou primeiro, a ciência deslindou depois, e que demorará mais mil anos a ser compreendido. É que em determinada altura da existência, todos temos o mesmo antepassado comum. Todos somos família.
grand slam
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3 Janeiro 2009, 12:54
Apesar das criticas e polémicas o circuíto mundial segue seguro e caminha numa direcção que será a sonhada por todos. Se os meios justificam os fins está plenamente justificada a opção de disseminar o tour por onde pudesse, mesmo que as condições (também marítimas) não fossem por vezes as mais dignas para etapas desse calibre. A um ano cheio de etapas, etapas a mais como por vezes nos pareceu, vai suceder um ano com um "grand slam" onde pela primeira vez na história se selecionam etapas sem descartar outras. Serão escolhidas 5 etapas pela sua historia e condições que terão mais pontos e importância que todas as outras. Este será um ano de transição. De transição para um tão aguardado esquema de classificação/tops, ao género 1ª e 2ª divisão. Mas desta vez com uma base estável e viabilidade. Este ano, tão confuso e frustrante em tantos aspectos, foi um dos anos mais importantes de sempre em termos organizativos. Provou que o circuito mundial pode finalmente sonhar com outros voos.
Última etapa do circuito B-side 2008
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3 Janeiro 2009, 03:21

A última etapa do circuito regional de surf B-side 2008 irá realizar-se já no próximo fim de semana, dias 10 e 11 de Janeiro na praia da Arrifana em Aljezur. Esperemos que o mar se encontre com boas condições e que os surfistas dêem o seu melhor. A todos boa sorte.
Ivan Bailote. Foto Tiago Grosso.
Aparato na Praia de Faro
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2 Janeiro 2009, 15:21

Memórias do Surf - Revisitando textos antigos
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2 Janeiro 2009, 14:18
Take 1
Do surf tenho várias memórias. Penso que a melhor coisa que o surf me transmitiu até hoje foi uma certa sensação de liberdade. De quase ser maior do que a vida. De ser para sempre jovem. Lembro-me de estar na praia num certo Verão à espera da maré que trouxesse de novo as ondas àquela praia (a minha praia), sentado na toalha a ver o mar enquanto comia mais uma sandes mista que havia trazido de casa, os auscultadores postos a tocar a velha cassete de ramones transmitia-me uma alegria inigualável. Seria impossível sentir-me melhor que aquilo, aquela sensação de conforto físico e espiritual, de bem-estar, de harmonia com o mundo, de ter tão pouca falta de nada. Acho que nunca mais na vida fui tão feliz como naquela altura. E de ser tão emocionalmente auto suficiente. São coisas que raramente sentimos noutras ocasiões. Aquele sol que nos aquece a pele, aquela água lusa na qual mergulhamos e abrimos os olhos para vê-la passar por cima de nós. A cada onda que passa aumenta a minha sensação de purificação física e espiritual. As ondas são como filtros. E em cada bico de pato que faço sou eu que passo por elas e me purifico e me torno melhor do que o que era. As ondas levam os males todos. No fim da minha vida eu serei melhor do que o que sou hoje. Os problemas que carrego deixarei-os no mar onde se dissolverão com as espumas e eventualmente morrerão na areia da praia. O surf pode nos tornar melhor se estivermos disponíveis para que ele nos torne melhores. Se formos para dentro de água com a atitude incorrecta de nada servirá.
Take 2
Eu acho que o surf serve para nos deixar bem. Se estou mal então o surf é a solução, sei que lá dentro os problemas da vida não vão desaparecer mas a minha atitude para com eles pode com certeza mudar e isso é muito importante. A atitude certa pode muita coisa. São cinco da tarde de um dia de Inverno, está de chuva mas de uma chuva passageira. A temperatura é no entanto amena. Na água, quebram umas ondas de meio metro apenas mas bem formadas com picos de esquerda em v e com umas boas junções. Entro. Mais ninguém aparece e a praia está vazia de gente. Ainda bem. Eu gosto de surfar sozinho em dias assim. Se estivesse sol talvez apetecesse ter mais alguém dentro de água. Se estivesse grande também. Hoje não. Hoje apetece-me surfar sozinho enquanto o sol se põe e a chuva cai intermitentemente. É um bom dia para me dar inspiração, para pensar que sou especial por estar ali sozinho. Para pensar que talvez ela achasse o mesmo se me visse ali sozinho a surfar. Faço umas ondas e em cada onda que apanho a minha performance melhora. Está cada vez mais escuro. Procuro a derradeira onda que me vai fazer sair da água com a sensação de missão cumprida. O surf é melhor quando é bem feito porque é aí que nos encontramos mais perto de sermos uma parte da onda – no fundo de sermos um só com elas. O surf é bom porque nos dá uma sensação de liberdade inigualável. No fundo, é quase como se tivéssemos o poder de caminhar sobre a água. A cada up and down imprimo mais velocidade, a cada junção que percorro sinto que sou capaz de voar. Os meus braços acompanham todos os movimentos. Apetece-me gritar a plenos pulmões o máximo que conseguir. Exprimo-me inconscientemente quando surfo e o meu surf é um reflexo de mim próprio. Aqui faz sentido falar do surf como forma de arte e enquanto forma de expressão individual. Uma espécie de dança que decorre no mais improvável e efémero dos meios. As ondas.
ainda sobre trestles
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2 Janeiro 2009, 12:40
Ainda me falta tecer uma consideração sobre as efusivas comemorações do "salvamento" da onda de trestles. Na verdade todo este assunto deixa-me atónito e por mais do que uma razão, um pouco ao género do titanic este mundo afunda-se mas o que interessa é que a orquestra continue a tocar. Também neste caso existe música que nos embala e que permite a muitos abstrair-se de tudo e muito mais, pensar até que tudo vai pelo melhor. Assim e enquanto na maioria da california as praias estão contaminadas até á exaustão, significando perigo de vida para os que as frequentam em alguns casos, se a violência e a intolerância grassam pela maioria dos picos minimamente razoáveis, se as cidades soçobram aos pés da poluição, da violência e da desigualdade, tudo se evapora como num ápice se ao menos houver um último sitio imaculado para onde fugir aos fins de semana. Passou, para satisfação de muitos "patrões" presumo, a existir locais onde "tudo se pode fazer" e uma pequena amostra de praia, plena de vida natural e "espírito indio" onde "nada se pode fazer". As pessoas nas cidades acabaram por apenas se contentarem com a existência de um emprego minimo e de um pouco de segurança. Sabem, porque lhes ensinaram que o que sobra são exigências irrazoáveis exequíveis de cumprir apenas em pequenos sítios simbólicos e suburbios de milionários. Tudo o resto, espaços verdes, natureza e um pouco de bem estar são miragens de fim de semana. Tinham razão quem mencionou a alma índia do local, hoje em dia não é apenas para os índios que se fazem reservas.
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